“Um sertão entre tantos outros”

O livro “Um sertão entre tantos outros” (livro de arte resultante do projeto de pesquisa vencedor do Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica em 2014), foi lançado em setembro deste ano pela autora Nathália Diniz, doutora em Arquitetura pela USP.

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O livro aborda a cultura do criatório e a arquitetura rural em um dos sertões brasileiros, os chamados Sertões do Norte, que abrangem terras do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia.

O fotógrafo colaborador da Galeria Almir Bindilatti, é o autor das imagens que ilustram todo o livro junto com xilogravuras de J. Borges, que levam o leitor a uma viagem por um surpreendente interior do Brasil, onde as casas de fazenda, rústicas e produtivas, revelam um passado injustamente esquecido.

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Tudo que a gente mais gosta: fotografia brasileira pura:)

Inspirado nesse projeto, o Almir nos presenteou colocando a venda na Galeria, uma pequena série de 6 fotografias inéditas e exclusivas sobre suas andanças por esse sertão tão lindo!

Conheça todas fotos aqui.

Abaixo uma pequena entrevista com o Almir:

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Galeria: Sabemos que não é a 1a vez que você é convidado para fotografar um livro assim de pesquisa profunda e histórica. Mas como o convite para fotografar “Um sertão entre tantos outros” aconteceu?

Almir Bindilatti: O convite para ser o autor das imagens que ilustram “Um sertão entre tantos outros” surgiu de uma antiga parceria com a Versal editores, que é especializada  em livros de conteúdo artístico e histórico e leva em seu currículo seis prêmios Jabutis. O diretor da Versal, que é meu amigo e parceiro de outos projetos editoriais, José Enrique Barreiro, me ligou e comentou sobre o projeto, fiquei encantado, afinal de contas já tinha uma enorme vontade de me aventurar pelo sertão brasileiro já fazia algum tempo, e a oportunidade acabara de bater em minha porta. Fechamos na hora a parceria!

Galeria: E sobre o processo de criação? Como foi? A autora te entregou todos os textos, você os estudou e aí começou a fotografar/documentar cada região e história?

Almir Bindilatti: Tivemos alguns encontros para debatermos o teor e a logística do trabalho. Recebi o texto um mês antes de entrar em campo para absorver o máximo de informação possível e saber o que seria relevante em minha abordagem. Antes de pôr o pé na estrada, a própria autora fez todo o percurso de mais de 5.000 Km, visitando as fazendas que faziam parte de seu estudo. Esse roteiro, posteriormente replicado por mim, partiu do sertão do Piauí passando por Pernambuco, Paraiba, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. Tive total liberdade de criação em relação as imagens que esses sertões me revelaram. Com foco nas casas das fazendas do século XIX, fiz uma investigação profunda nas formas de vida e costumes dos sertanejos que ali se estabeleceram.

Galeria: Um tema como o sertão, tão brasileiro, tão nosso… conta pra gente se alguma história, personagem ou situação te marcou e por que?

Almir Bindilatti:  O que mais me impressionou nos sertões que tive o privilégio de transitar, foi a dignidade e a nobreza do povo sertanejo. Ví que alí nos sertõs do Brasil, ainda existe a esperança de uma sociedade mais integra em seus conceitos humanistas . Onde o valor da vida não se estabelece naquilo que se tem, mas sim, naquilo que se é puramente e no que se pode fazer para ajudar o outro. O sertão brasileiro me tomou de assalto e me fez emocionar com o simples e necessário.

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por Juliane Bezerra

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