‘100 Coisas que Cem Pessoas Não Vivem Sem’, o livro

‘100 Coisas que Cem Pessoas Não Vivem Sem’ é um livro de fotografia lançado recentemente no Rio de Janeiro pelo fotógrafo – colaborador da Galeria SambaPhoto – Andre Arruda, e que demorou quase 10 anos para ficar pronto.
Isso mesmo que você leu, foram 10 anos planejando, produzindo, fotografando, editando…

O livro apresenta retratos exclusivos de cem brasileiros com suas coisas favoritas, inesquecíveis, amadas, estimadas, imprescindíveis. Pessoas famosas e nem tanto, de diferentes grupos sociais incluindo um pajé kamaiurá, um pescador do nordeste, músicos, atrizes, chefs de cozinha, empresários, gari, atletas, escritores, garçom, vaqueiro, mergulhador e tantos outros.

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Sebastião Salgado e seu canivete suiço

O livro tem introdução da jornalista e escritora Cora Rónai, texto de Andre Arruda e depoimentos de cada personagem fotografado sobre o objeto escolhido.

O Andre tomou conta de tudo, desde a concepção e coordenação do projeto até a direção de arte e acompanhamento gráfico!
Segue abaixo uma pequena entrevista para você entender mais sobre esse super projeto do super Andre.

Ah! O livro será lançado aqui em São Paulo nesta 3a feira na Livraria Blooks e 5 exemplares autografados já estão disponíveis aqui na Galeria para venda, corre lá!

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Galeria:
Primeiro de tudo conta pra gente sobre o seu processo de criação? Como surgiu a ideia, o nome? E a lista das 100 pessoas?

Andre Arruda: 100 Coisas que Cem Pessoas Não Vivem Sem é antes de tudo um livro sobre gente, sobre o outro. Sobre pessoas que nos falam delas, de suas histórias, através de seus objetos. Não no passado, mas no hoje, em primeira pessoa. É também um livro sobre o tempo.

Sempre fotografei gente, mas queria fazer um livro de retratos que trouxesse algo além de uma compilação de fotografias de pessoas. Queria falar de gente e também das histórias delas, dessas memórias afetivas. Sempre quis fazer um livro meu, autoral, então, juntei essas duas correntes e expandi a questão de tornar o livro também num livro-conceito, em um objeto gregário, que pudesse suscitar/estimular uma conversa e uma reflexão sobre aquilo que nos é essencial, sobre apego e desapego, sobre marcas da nossa história. Tecnicamente, foi um desafio duríssimo porque as fotos, os cem retratos e cem objetos, teriam que ter força individual e funcionar separadamente. Optei pelo fundo branco, porque é isento e democrático, e misturei pessoas anônimas e famosas para fazer um pequeno retrato do Brasil. O conceito “retrato + still” nasceu, desde a primeira ideia, junto com o título em aliteração, a partir de uma reflexão sobre a catalogação nossa de cada dia, de sermos figurinhas com atributos, legendas, comentários e classificações, seja nas redes sociais, seja nos aplicativos de celular ou num anúncio de varejo. Gosto de brincar com palavras. Fui músico, escrevi muitas letras e adoro design e tipologia; o nome surgiu praticamente antes das fotos.

A lista de brasileiros foi um critério extremamente científico e cerebral: Uma festa. Uma lista de convidados sortida, variada, com gente diferente e interessante. Pessoas que tivessem notoriedade não pela fama simples, mas pela qualidade de seu trabalho.

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Gilberto Gil e seu violão


Galeria:
Sabemos que a maioria dos fotografados são pessoas famosas, muitas vezes sem tempo, enfim todos os fotografados aceitaram o convite numa boa ou mesmo sendo um trabalho autoral e poético, alguém se recusou? Ou chegou a te pedir cachê?

Andre Arruda: “Famosos’’ geralmente têm agendas muito cheias, muitos compromissos e muitas solicitações de mídia. O desafio foi encaixar a sessão do 100 nessas agendas; nem sempre deu certo, mas é parte do jogo. Sebastião Salgado, por exemplo, foram quatro anos e meio de espera, de encontros e desencontros. Pouquíssimos pediram cachê; esses cabem na mão esquerda do Lula e com folga. Agradeço muito a eles, pois deram lugar a pessoas muito mais interessantes.

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Vik Muniz e seu Post-it


Galeria:
O livro demorou mais de 9 anos para ficar pronto, né?! E hoje depois dele publicado você se arrepende de ter retratado alguém?

Andre Arruda: Foram 9 anos e meio. Foi um projeto paralelo, sem muita pressa. O teste do tempo é implacável. A melhor coisa que aconteceu ao 100 foi esse prazo alongado, pois quem está no livro está para sempre na história do Brasil. Não me arrependo de ter fotografado ninguém, absolutamente.

Galeria:
Tanta gente diferente, objetos curiosos… alguma história, personagem ou situação te marcou e por que?

Andre Arruda: Fotos de objetos são tecnicamente mais difíceis do que pessoas, porém são mais fáceis de trabalhar. Objeto não fica de saco cheio, não tem hora pra sair, não reclama, não tem compromisso. Um bom retrato é um amalgama de vários fatores. Retratos são um jogo a dois, do fotógrafo e do fotografado, nunca um duelo. Quanto mais direta e íntima for essa relação, melhor, mesmo que essa “mágica” de emoção e técnica seja rápida. Sempre acreditei que uma boa sessão fotográfica é uma curva ascendente longa e com uma tangente bem curta: é nesse pico que as fotos acontecem. As variáveis são muitas, do tempo em que o personagem se dispõe em frente à câmera ao grau de empatia gerado por essa ligação efêmera. Com homens, uma certa tensão funciona; não pode ter muita “camaradagem”, sendo sutil e de baixa voltagem essa ‘’regulagem de tensão’’. Com mulheres, é o contrário: toda zona de conforto possível é insuficiente. A luz mais suave é um requisito mínimo, para começo de qualquer conversa. E sempre será uma questão de pele, de base, de corretivo, de delineador e de batom. E de cabelo. Na dúvida, ponha um salto alto, mesmo que seja um close no rosto.

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Sonia Braga com sua mochila (cheia de coisas)


Galeria:
Sobre seu trabalho na Galeria agora, como você enxerga a fotografia hoje invadindo as casas, virando tendência na decoração?

Andre Arruda: O Brasil demorou um pouco para ter a fotografia como decoração. Não é uma tendência, é um caminho sem volta e estabilizado tanto no mercado de arte como na decoração. E existe fotografia para todos, desde as mais baratas até as cópias de autor, com série limitada e papel especial.

Hoje é mais fácil comprar uma fotografia. A internet permite buscar o histórico do autor e sua trajetória. E o comprador que está entrando nesse mundo precisa estar especialmente atento, entre outros detalhes, ao tipo de papel em que a imagem está impressa e a certificação, se a peça é numerada, etc. Um papel barato não resiste a mais de dez anos, mesmo com bom emolduramento, pode ficar amarelado, ter fungos. Investir em qualidade sempre compensa.

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Bia e Branca Feres com seu Daphine, o fusca cor de rosa


Galeria:
E a pergunta que nunca quer calar: qual o seu próximo projeto?

Andre Arruda: O meu próximo projeto de livro começou antes do 100, em 2004. Fortia Femina é o título, um ensaio de nus com mulheres atletas da musculação, do bodybuilding, do fitness. Já está quase pronto, mas quero fotografar mais atletas. Tenho também um trabalho em andamento e que nunca será terminado, Abaixo do Céu, Acima da Terra, sobre céus, nuvens carregadas. Alguns dizem que são retratos de nuvens. Deverá ser exposto em breve e já consta em algumas coleções particulares.

 

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Making of: Andre Arruda fotografando o Daphine

Vai lá!
Lançamento do livro e sessão de autógrafos
17/05, às 19h na Livraria Blooks Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 Piso 3

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por Juliane Bezerra

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